I Fórum Municipal Intersetorial fortalece debate sobre equidade e direitos humanos no SUS

I Fórum Municipal Intersetorial fortalece debate sobre equidade e direitos humanos no SUS

Durante dois dias de programação, especialistas, profissionais e sociedade civil discutiram estratégias para fortalecer o acesso à saúde e reduzir desigualdades no atendimento às populações em situação de vulnerabilidade. Com o objetivo de fortalecer o debate sobre equidade, direitos humanos e acesso à saúde, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde

Durante dois dias de programação, especialistas, profissionais e sociedade civil discutiram estratégias para fortalecer o acesso à saúde e reduzir desigualdades no atendimento às populações em situação de vulnerabilidade.

Com o objetivo de fortalecer o debate sobre equidade, direitos humanos e acesso à saúde, a Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), realizou, nos dias 7 e 8 de julho, no auditório do Instituto Esperança de Ensino Superior (Iespes), o I Fórum Municipal Intersetorial de Equidade e Direitos Humanos. O evento reuniu profissionais da saúde, gestores, pesquisadores, Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e representantes da sociedade civil para discutir estratégias voltadas à construção de um Sistema Único de Saúde (SUS) mais inclusivo, humanizado e acessível.

A programação teve início com a palestra magna “Equidade e Justiça Social: Desafios e Perspectivas para a Consolidação no SUS”, ministrada pelo professor Ruy Harayama. Durante a exposição, o palestrante destacou que a equidade é um dos pilares para garantir o direito à saúde, respeitando as diferentes necessidades e realidades da população.

“O ACS é uma peça fundamental porque conhece a comunidade, identifica situações de vulnerabilidade e faz a ponte entre essas necessidades e a rede de atenção à saúde. Quando essas informações são qualificadas e encaminhadas corretamente, contribuem para garantir direitos e promover equidade”, afirmou.

O professor também reforçou que a saúde deve ser compreendida de forma ampliada, indo além da ausência de doenças. Para ele, qualidade de vida envolve bem-estar físico, mental, social e cultural, incluindo o direito de viver sem discriminação e com acesso às oportunidades necessárias para uma vida digna.

Outro tema abordado foi a importância da coleta qualificada de informações durante as visitas domiciliares. Dados sobre raça, cor, etnia, orientação sexual, identidade de gênero e outros determinantes sociais, quando registrados corretamente, contribuem para a elaboração de políticas públicas mais eficientes e adequadas às necessidades da população.

A programação também contou com mesas-redondas sobre a saúde das populações do campo, da floresta e das águas; saúde integral da população LGBTQIAPN+; atenção à população em situação de rua; saúde de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas; saúde da pessoa com deficiência; relações entre trabalho, gênero e saúde; e enfrentamento ao racismo institucional no SUS. Também foram realizadas oficinas sobre o preenchimento qualificado dos campos de raça, cor e etnia nos sistemas de informação e sobre comunicação inclusiva. Mais de 200 pessoas participaram do evento.

Entre os participantes estava o Agente Comunitário de Saúde (ACS) Jadson Azulay, que atua há 12 anos nas comunidades de Jauarituba, Jatequara e Jaca, na região do Tapajós, atendendo cerca de 295 moradores.

“Eu gostei muito dessa palestra. Tem gente que acredita que já sabe de tudo, mas, nessas capacitações, percebemos que ainda há muito para aprender, principalmente quando se fala em equidade. Também cabe a nós levar essas informações para a população e ajudar as pessoas a compreenderem que tratar com equidade significa reconhecer que cada um tem necessidades diferentes”, destacou.

A assessora da Região de Rios da Semsa, Tngara Sansil, ressaltou que garantir o acesso à saúde nas comunidades ribeirinhas exige estratégias específicas para superar os desafios impostos pelas características geográficas da Amazônia.

“Coordenamos 35 Unidades Básicas de Saúde distribuídas entre comunidades ribeirinhas, em um cenário amazônico marcado por grandes distâncias, diversidade geográfica e dificuldades de acesso. Um dos maiores desafios está na região do Alto Arapiuns, onde, durante o período de estiagem, as embarcações não conseguem chegar a algumas comunidades. Isso dificulta tanto o deslocamento da população até as unidades de saúde quanto a chegada das equipes aos territórios”, explicou.

Segundo ela, a sazonalidade também impacta o atendimento em outras regiões, como o Alto Tapajós, reforçando a necessidade de políticas públicas que considerem as especificidades amazônicas.

“É justamente nesse contexto que a equidade se torna essencial, para que possamos garantir o acesso aos serviços de saúde mesmo diante das dificuldades existentes”, afirmou.

Para o secretário municipal de Saúde, Everaldo Martins Filho, o fórum representa um importante espaço para fortalecer a atuação dos profissionais e ampliar o acesso da população aos serviços de saúde.

“Promover um evento como este é reafirmar o compromisso da gestão municipal com um SUS cada vez mais humanizado, inclusivo e comprometido com a redução das desigualdades. A equidade é um dos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde e passa, necessariamente, pela qualificação dos nossos profissionais e pelo fortalecimento da atuação dos Agentes Comunitários de Saúde, que conhecem de perto a realidade das comunidades. Investir em capacitação e no diálogo entre diferentes setores é investir em um atendimento mais eficiente e na garantia do direito à saúde para toda a população.”

O I Fórum Municipal Intersetorial de Equidade e Direitos Humanos reafirmou a importância da integração entre saúde, educação, assistência social e demais políticas públicas para enfrentar as desigualdades e fortalecer um SUS cada vez mais acessível, acolhedor e comprometido com a promoção da justiça social.

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