Reino Unido começa experiência com agentes comunitários de saúde Experiência aposta no trabalho territorial como forma de aumento na adesão a serviços preventivos de saúde Liderado por Alessandro Jatobá, pesquisador da Fiocruz, o estudo Brazil’s community health workers inform primary care reforms in England relata os primeiros momentos de um novo experimento no National
Reino Unido começa experiência com agentes comunitários de saúde
Experiência aposta no trabalho territorial como forma de aumento na adesão a serviços preventivos de saúde
Liderado por Alessandro Jatobá, pesquisador da Fiocruz, o estudo Brazil’s community health workers inform primary care reforms in England relata os primeiros momentos de um novo experimento no National Health System (NHS), o sistema público de saúde inglês.
Trata-se de um novo capítulo na história de um modelo de atenção à saúde que se tornou paradigma global no século 20 e tenta se reinventar após décadas de hegemonia neoliberal na direção do Estado.
No ano passado, o governo trabalhista de Keir Starmer lançou um plano de ação para os próximos 10 anos, dentro do qual algumas estratégias de atendimento ao público se inspiram no SUS e seu modelo de atenção primária. Nesse âmbito, o sistema inglês criou a figura do “community health worker” (CHW), equivalente ao agente comunitário de saúde.
De acordo com a pesquisa que uniu brasileiros e britânicos, os primeiros resultados positivos já aparecem: entre as famílias cobertas pelas equipes de CHW, houve um aumento de 40% no uso de serviços preventivos, de 47% na vacinação e de 82% na realização de exames de rastreamento.
No caso inglês, a ação territorial é a grande inovação, através da busca ativa por pacientes da área de cobertura de cada equipe, a exemplo das Equipes de Saúde da Família, responsáveis pela atenção básica em um determinado território e contingente populacional.
Como afirma Jatobá em reportagem da Folha que retrata a nova experiência do NHS, tal estratégia é um fator de economia, tanto para governo como cidadãos – uma vez que a ação preventiva evita gastos com remédios e internações.
Os pesquisadores defendem essa hipótese à luz da experiência histórica brasileira, responsável pela diminuição da desigualdade em saúde no país. O plano decenal do NHS visa conter a crise acumulada nas últimas décadas, que atualmente se reflete em maior espera por atendimento e até greves de médicos e enfermeiros.
Tal experiência não seria possível se médicos e pesquisadores britânicos não tivessem vivenciado o SUS. Um dos signatários do artigo é Matthew Harris, que trabalhou como médico de família e comunidade no Brasil entre 1999 e 2003.
Além disso, a política dos CHW coloca em prática o engajamento dos autores da pesquisa na criação de sistemas de saúde mais resilientes, ideia reforçada pela OMS após a pandemia de covid-19 e debatida pela equipe em evento na Fiocruz em 2024.
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